domingo, dezembro 06, 2009

tom e vinicius


Foi difícil acumular coragem ao longo do dia para falar de Tom e Vinicius.
Afinal de contas, falar de Tom ou Vinicius, Tom e Vinicius, é de uma responsabilidade sem tamanho.

E depois de muito procurar por palavras, mesmo que singelas, sobre o que eles significam para a Bossa Nova, para a nossa música popular brasileira, para o mundo, ou para mim, descobri que seria uma missão impossível.

Felizmente, encontrei uma brecha. Uma licença quase poética para falar deles não descorrendo sobre eles e sim sobre a peça-musical que assisti ontem.

Tom e Vinicius, o musical, surgiu da enorme vontade de Marcelo Serrado em levar aos palcos um pouco da brilhante parceria do maestro com o poeta. O resultado deste grande trabalho, em cena, nas pesquisas, na interpretação musical e teatral, não deixa a desejar em nada. O musical é incrível, emocionante e faz com que todo o palco cantarole baixinho toda vez que alguma musica começa.

É, a cantoria da platéia começa tímida. Como quem não quer incomodar seu vizinho do lado, de cima ou de trás. Mas, é impossível não cantar forte, com arrepio e (quem sabe) lágrimas nos olhos quando aquela musica favorita começa.

Como o repertório de Tom e Vinicius é extenso, a minha favorita pode não ser a mesma favorita do vizinho da frente. E se um começa a cantar, todos se sentem no direito e dever de acompanhar. É lindo!

As interpretações de Marcelo Serrado como Tom, e Thelmo Fernandes como Vinicus, são excelentes e nos dão a ingênua sensação de termos nos tornado mais íntimos dos verdadeiros Tom e Vinicius depois da sessão.

A intimidade com Tom e Vinicius pode ser, realmente, ingênua posto que não podemos voltar no tempo.
Mas, a emoção de ouvir aquelas músicas (tocadas e cantadas ao vivo) e descobrir a familiaridade de uma amizade que ia além da sintonia musical e poética; é real.

Se a gente se universaliza quando fala do que é brasileiro, como dizia o Tom...
Ontem, o público se universalizou cantando bossa nova.

sábado, novembro 28, 2009

bon appétit


É verdade que quanto maior a expectativa, maior pode ser a decepção.
Ainda bem que desta vez a minha expectativa foi na medida certa!
Há alguns meses tinha lido sobre a estréia do filme Julie & Julia, que encantou o público pelo mundo afora, e estava louca para conferir.
Pois bem, ontem reservei a noite para filme delicioso...

Julie e Julia são encantadoras. Além de serem duas mulheres comuns, funcionárias comuns, com maridos ímpares (porque eles são fofos, companheiros e muito apaixonados... isso bem que pode vir de brinde em qualquer casamento, certo?); elas têm uma paixão em comum: a cozinha.

E através da cozinha Julie, que vive no nosso tempo, está prestes a fazer 30 anos e ainda não descobriu para que veio ao mundo; encontra Julia, ícone da desmistificação da cozinha francesa para as americanas.

No quesito cinematográfico, se assim podemos dizer, Meryl Streep dá um show de interpretação no papel da fofa Julia e Amy Adams, que eu adoro desde que a conheci no filme Junebug, interpreta a Julie. Juntas elas nos envolvem em uma história super gostosa.

No quesito gastronômico, alguns podem sair do filme achando que poderiam fazer qualquer um dos pratos que fazem por lá. Mas, não se iludam! Até cortar cebolas em mirepoix (lê-se cortes irregulares com 1.5 cm de lado) pode ser uma tarefa nada fácil.

No quesito emocional, acho que todas as mulheres na faixa dos 25 a 30 podem acabar se identificando com a Julie, como eu. Simples assim: estamos em constante questionamento do que queremos da vida e do que a vida quer de nós.

E como a Julie acabei até me aventurando pela área da gastronomia...
Mas, diferente dela, descobri que sou ótima degustadora, apreciadora da arte da gastronomia e um zero a esquerda na arte de fazê-la!!

Depois de algumas experiências quase científicas na cozinha, frangos destrinchados e um corte no dedo seguido de um leve desmaio, eu superei esta idéia louca de me tornar uma chef e hoje voltei para o meu lugar: o de fazer um "huuumm" sempre que levo um bom garfo à boca.

Ainda não fui atrás de novas aventuras. Acho que uma aventura por ano que renda boas histórias já é o suficiente!

Coincidência ou não, acabei encontrando um refúgio no meu blog, onde posso escrever e dividir idéias, novidades, sentimentos e opiniões sobre qualquer coisa (de preferência agradáveis!). Assim como a Julie, que através do seu blog conseguiu dar formato e vida à sua aventura especial pela culinária.

Bon appétit!


quinta-feira, novembro 26, 2009

promessas


Estamos quase no final do mês de novembro, quase no final do ano e eu cheia de promessas não cumpridas...

Começando pelos posts que prometi dedicar à França durante o mês de outubro. Não foi falta de inpiração, nem falta de assunto, inlcusive porque tive a oportunidade de visitar as exposições de dois grandes artistas franceses: Matisse e Fromanger. Essa dupla daria um grande tema para um post: a arte que já era atual no passado e a arte nova que é retrato do nosso futuro; ambas regadas à muita cor (adoro!)

Mas, voltando à promessa não cumprida ...
A falta de tempo é a protagonista ideal para este crime.
E ela adora aparecer no final; de ano, de mês e por aí vai.

E já que todo final de ano é assim...
Se eu já puder fazer promessas para o ano que vem, prometo não prometer nos últimos meses do ano!

Das outras promessas não cumpridas, posso fazer uma listinha...
Não que eu não tenha tentado cumprí-las, mas na correria do dia a dia acabamos priorizando outras coisas, mesmo sabendo que não deveríamos.

Por exemplo, prometi a mim mesma que este ano seria assídua à yoga, que eu amo.
Mas, os dias foram ficando apertados, o cansaço e o estresse foram dando forma a uma preguiça descomunal e o resultado: não estiro o meu tapetinho de yoga há alguns meses.
Que pena, né?
Essa já pode ficar como promessa para o ano que vem.

Felizmente, a maioria das promessas foram cumpridas!
Outras, merecem ser refeitas a cada ano que começa...

Afinal de contas, sorrir mais, nos estressar menos, encontrar mais prazer todos os dias, se dedicar a algo ou alguém que nos faça feliz são promessas possíveis...

quinta-feira, outubro 08, 2009

bande à part



Já que o mês de outubro teve sua estréia com o cinema francês, vou fazer o "esforço" de dedicar o mês inteiro à França.

Nada mais justo, em se tratando do "Ano da França no Brasil". Assuntos não vão faltar: cultura, joie de vivre, lingua, ícones, música, cinema entre outros podem ser muito bem explorados.

E por falar em cinema, a Nouvelle Vague parece me perseguir nos utlimos dias...Hoje saiu uma pequena matéria no jornal (no caderno Cultura e Diversão) sobre a Nouvelle Vague, quelle coincidence! Oui, oui!

Tudo porque o Canal Brasil também prestará homenagem ao cinema francês: todas as sextas-feiras serão exibidos filmes clássicos da Nouvelle Vague até dia 1°de janeiro. Bacana para quem quer começar a apreciar o cinéma d'auteur!

As exibições acontecerão à 0h45 das sextas-feiras e terão reprises no sábado seguinte às 18hs e domingo às 7h30. Ainda bem! Porque para quem trabalha duro a semana inteira, fica difícil se concentrar em filmes tão densos depois da meia-noite (bom.. digo por mim, que morro de sono!)

Quem não quiser se aventurar pelo cinema e ainda assim quiser ficar por dentro do universo Nouvelle Vague, ou melhor pela onda nova... Pode pegar um atalho na música, com a banda que leva o mesmo nome do movimento: Nouvelle Vague.

Em primeiro lugar, espero que não se cansem de tantos Nouvelle Vagues... Mas, é como falar sobre bossa nova e não repetir a bossa nova quinhentas vezes! Porque o próprio nome vem carregado de significados.

Mas, voltando à música.... Nouvelle Vague é um projeto musical concebido por dois caras (Marc Collin e Olivier Libaux) que inspirados pelo movimento do cinema francês da década de 60 criam e recriam músicas dos anos 70 e 80.

Eles não cantam e para isso têm um grupo de estrelas, ainda não descobertas, que dão bossa às novas interpretações. Ahn? Bossa? Calma! Eu não estou louca... O grupo é tão legal que resolveu juntar a filosofia francesa com a bossa brasileira...

Segundo o próprio Collin, a intenção de juntar grandes cantoras iniciantes à novos arranjos é levar algo novo e fresco ao público (isso te lembra algo?)

Não satisfeitos com o nome do grupo, deram o título de "Bande à part" ao segundo cd, de 2006, mesmo título de um dos filmes de Godard

Voilà! Músicas deliciosas para ouvir a qualquer hora, em qualquer lugar.

segunda-feira, outubro 05, 2009

nouvelle vague


Para retomar a rotina em grande estilo: Nouvelle Vague.

Se ainda não tem certeza do que se trata, já deve ter ouvido falar.
Não? Nada na cabeça?
Então... você já ouviu falar em François Truffau ou Jean-Luc Godard.
Ainda não?

Se já curitu Legião Urbana, em algum momento da sua vida, conhece "Eduardo e Mônica". E a Mônica, por sua vez conhecia Godard.
Ahn?
Não, ela não conhecia, mas queria ver o filme... "o Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Mônica queria ver o filme do Godard"

Se você não se encaixa em nenhuma das alternativas anteriores, está na hora de ouvir falar sobre a Nouvelle Vague.
Ao pé da letra: nova onda. Ou se tropicalizarmos a expressão, seria como uma bossa nova.

A Nouvelle Vague foi um movimento do cinema frânces que visava derrubar as barreiras dos estúdios a fim de filmar a vida como ela é (ou melhor, era - na década de 60).
Entre os grandes nomes do movimento: Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol.

Os jovens e revolucionários cineastas queriam mostrar uma nova arte, a arte de filmar o simples, sem apelo comercial. E o simples não estava dentro dos estúdios.
E o deslocamento só foi possível porque as filmadoras da época tinham acabado de evoluir para modelos mais flexíveis e modernos, facilitando a gravação em ambientes externos.

Não satisfeitos com a maior liberade de filmar, os revolucionários cineastas praticamente excluiram o papel do roteirista a fim de poderem filmar e dirigir o que eles tinham em mente, sem nenhuma amarra. Adicione atores desconhecidos ao preparo e você tem um cinema novo. Com novas alternativas e novo espaço para a criatividade, deixando de lado a arte pelo comercial e fazendo arte por arte.

Adoro esse discurso de arte por arte.
É o que todos os grandes artistas fizeram, dando uma prévia do que estava por vir.
Nunca os compreendemos no momento certo.
Quantos dos grandes pintores ganharam dinheiro em vida? Picasso e outros poucos.

Por isso escolhi falar de Nouvelle Vague - que foi, primeiramente, tema escolhido para minha aula de francês - e eu gostei tanto do assunto que resolvi compartilhar.

Compartilhar e abrir uma brecha para poder falar sobre a arte, também vista nos filmes.
Digo grandes filmes, que normalmente não dão grandes bilheterias.
Afinal de contas, nós - grande público - não conseguimos compreender tudo.
Mas, podemos compreender que aquilo é grande, é diferente e é sutil.

Como os outros grandes artistas, os cineastas da Nouvelle Vague estavam muito à frente de sua época e o movimento não vingou. Mas deixou toda a filosofia para que cineastas de hoje pudessem se inspirar, entre eles: como Robert Altman, Francis Coppola, Martin Scorsese.
(Daí, peço licença poética para incluir Pedro Almodóvar, que adoro!)

Confesso que tenho pouquíssimo conhecimento sobre cinema, mas sei que as obras da Nouvelle Vague devem ser vistas com um olhar especial e devem ser apreciadas pelo que está por trás de tudo aquilo.
São clássicos do cinema.
Cinema novo.

quinta-feira, setembro 24, 2009

alegria


Alegria não é o espetáculo da vez, mas não teria outro título mais apropriado ao post dedicado ao Cirque du Soleil.
Afinal de contas, o que eles fabricam a cada apresentação é a alegria dos espectadores estampada em sorrisos mais, menos ou nem um pouco tímidos.

Ontem, fui uma das espectadoras alegres e sem timidez alguma na apresentação de Quidam.
E posso dizer que, como todos os outros espetáculos do Cirque du Soleil, este não deixou a desejar em nada: cenário lindo, iluminação perfeita, música (ao vivo) maravilhosa, acrobacias de tirar o fôlego, palhaçadas realmente engraçadas, maquiagem e figurinos estonteantes e um respeitável público alegre.

São tantos adjetivos que cabem dentro de uma única apresentação do Cirque du Soleil que fica difícil não se entregar à magia que eles nos proporcionam.
Sem contar com os inúmeros cases de gestão de negócio e de pessoas que já foram feitos sobre o Cirque du Soleil, a obra toda é grandiosa pelo fato de juntar todas as possíveis representações da arte em um só lugar. O Cirque du Soleil não é apenas um circo, é teatro, é balé, é ópera, é interação, é arte.
O mais fantástico, para mim, é que os membros do espetáculo fazem de tudo. O acrobata não é apenas acrobata. Ele sabe atuar, sabe cantar, sabe ser uma foca, sabe entrar na brincadeira... E a prova disso fica no final (calma! não vou contar como termina!), quando vemos que todas aquelas pessoas que passaram pelo palco são, na verdade, 3o pessoas (epa..é só um chute, ok?) que entraram várias vezes, interpretando vários papéis diferentes.

Então, se você gosta um pouquinho de teatro, de dança, de ópera, de música ou até mesmo de circo não deixe de se entregar ao mundo fantástico do Cirque du Soleil.
Até quem detesta palhaços (sim, temos inúmeras pessoas que têm traumas de palhaços) já me confessou que os palhaços do Cirque du Soleil são únicos e merecem uma segunda chance!

Depois de um bom tempo sem compartilhar algum adorável detalhe com vocês, tive uma inspiração daquelas depois de uma noite no Cirque du Soleil...
E nada mais justo do que tentar repassar um pouco dessa alegria para todos que passam por aqui.

quarta-feira, setembro 16, 2009

dirty dancing


Dirty Dancing (1987) foi figurinha carimbada durante a minha infância e adolescência.
E seria uma injustiça não falar do filme por aqui.
Perdemos o nosso protagonista, Johnny Castle (Patrick Swayze), mas o filme continuará eterno para quem decorou todas as músicas, danças e diáligos do filme, em algum momento da vida.

O primeiro filme (em VHS) que compramos do Dirty Dancing foi assistido tantas vezes que estragou.
Isso é possível?
Provavelmente! Eu queria muito decorar as danças, em especial a do final. Hummmm!
Depois compramos outra fita, também em VHS, que sobreviveu a mais duas viciadas em Dirty Dancing na minha casa.

E tenho a leve impressão de que colocava todas as minhas amigas para assistirem Dirty Dancing quando iam na minha casa, afinal de contas... "não é possível que você nunca tenha dançado ao som de (I've Had) The Time Of My Life?"
Enfim, compramos o DVD do Ditry Dancing porque volta e meia temos que relembrar a dança.

Acho que esse vício todo não é privilégio meu.
Ditry Dancing foi uma febre boa, um filme gostoso e sem cenas chocantes para menores de 12 anos. Inclusive, temos lições de moral no filme: como a gravidez da Penny; a desconfiança do pai da Babe e a falta de credibilidade que o Johnny deu à Babe porque ela não sabia dançar e queria ser seu par... (adoro!)

E temos ainda momentos românticos, engraçados, sérios e para chorar. Já chorei várias vezes na cena em que a Babe sai correndo atrás do Johnny e grita o nome dele com uma desafinação memorável, ele entra no carro e começa a tocar "She's like the wind"...
Música do próprio Patrick, ok?

Já morri de rir da Babe entrando na balada clandestina do hotel em que só os funcionários entravam e dançavam uma dança bem quente ou... se preferir bem "dirty dancing", e ela com aquela cara de pamonha segurando uma melancia!
Uauu! Esse post está demais.
Lembrar desses detalhes me fazem morrer de rir sozinha.

Ah! Vamos combinar que a Babe poderia ser mais bonitinha né?
Sempre fiquei revoltada com isso. Ela tem narigão e uma juba gigante.
Mas, dança bem.
E a gente adora.

Temos ainda os treinos das danças: o salto no lago, a dança à três, o teste de equilíbrio na tora da árvore, as cosquinhas que a Babe sentia quando o Johnny fazia um passo todo sensual com ela...
Enfim, quem viu também deve ter tido uma vontade imensa de dançar no lugar da Babe na útlima cena...

Outro dia pegamos um taxi em São Paulo em que estava tocando a trilha sonora do Dirty Dancing. Amei.
E o taxista sabia a letra de cor...
A gente só não sabe se ele sabia o que estava falando.

Se você nunca viu o filme, está na hora de entrar para o clube.

Se você já viu o filme, assista novamente a última dança no youtube, vale a pena!

E se você já é viciado no filme, não deixe de ver o filme mais algumas vezes e se delicie com a coragem do casal que apresentou a dança de cabo a rabo no próprio casamento...
(pelo menos eles dançaram direitinho!)