
Para retomar a rotina em grande estilo: Nouvelle Vague.
Se ainda não tem certeza do que se trata, já deve ter ouvido falar.
Não? Nada na cabeça?
Então... você já ouviu falar em François Truffau ou Jean-Luc Godard.
Ainda não?
Se já curitu Legião Urbana, em algum momento da sua vida, conhece "Eduardo e Mônica". E a Mônica, por sua vez conhecia Godard.
Ahn?
Não, ela não conhecia, mas queria ver o filme... "o Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas a Mônica queria ver o filme do Godard"
Se você não se encaixa em nenhuma das alternativas anteriores, está na hora de ouvir falar sobre a Nouvelle Vague.
Ao pé da letra: nova onda. Ou se tropicalizarmos a expressão, seria como uma bossa nova.
A Nouvelle Vague foi um movimento do cinema frânces que visava derrubar as barreiras dos estúdios a fim de filmar a vida como ela é (ou melhor, era - na década de 60).
Entre os grandes nomes do movimento: Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol.
Os jovens e revolucionários cineastas queriam mostrar uma nova arte, a arte de filmar o simples, sem apelo comercial. E o simples não estava dentro dos estúdios.
E o deslocamento só foi possível porque as filmadoras da época tinham acabado de evoluir para modelos mais flexíveis e modernos, facilitando a gravação em ambientes externos.
Não satisfeitos com a maior liberade de filmar, os revolucionários cineastas praticamente excluiram o papel do roteirista a fim de poderem filmar e dirigir o que eles tinham em mente, sem nenhuma amarra. Adicione atores desconhecidos ao preparo e você tem um cinema novo. Com novas alternativas e novo espaço para a criatividade, deixando de lado a arte pelo comercial e fazendo arte por arte.
Adoro esse discurso de arte por arte.
É o que todos os grandes artistas fizeram, dando uma prévia do que estava por vir.
Nunca os compreendemos no momento certo.
Quantos dos grandes pintores ganharam dinheiro em vida? Picasso e outros poucos.
Por isso escolhi falar de Nouvelle Vague - que foi, primeiramente, tema escolhido para minha aula de francês - e eu gostei tanto do assunto que resolvi compartilhar.
Compartilhar e abrir uma brecha para poder falar sobre a arte, também vista nos filmes.
Digo grandes filmes, que normalmente não dão grandes bilheterias.
Afinal de contas, nós - grande público - não conseguimos compreender tudo.
Mas, podemos compreender que aquilo é grande, é diferente e é sutil.
Como os outros grandes artistas, os cineastas da Nouvelle Vague estavam muito à frente de sua época e o movimento não vingou. Mas deixou toda a filosofia para que cineastas de hoje pudessem se inspirar, entre eles: como Robert Altman, Francis Coppola, Martin Scorsese.
(Daí, peço licença poética para incluir Pedro Almodóvar, que adoro!)
Confesso que tenho pouquíssimo conhecimento sobre cinema, mas sei que as obras da Nouvelle Vague devem ser vistas com um olhar especial e devem ser apreciadas pelo que está por trás de tudo aquilo.
São clássicos do cinema.
Cinema novo.





